“Esse sonho não é só meu”

A alegria nos pés não esconde que, por trás do olhar compenetrado e voraz do camisa 29 da Chapecoense, existe um menino realizando um sonho. Quem o vê jogando, íntimo da bola e com movimentos que unem força e habilidade, naturalmente se encanta. Mas além da sagacidade por conta da pouca idade, Bruno Silva joga com ambições de gente grande. O jovem atacante sequer tinha atingido a maioridade quando atuou, pela primeira vez, no elenco profissional da equipe alviverde e recebeu, junto de uma das maiores alegrias da sua vida, incontáveis responsabilidades e expectativas. Se engana, no entanto, quem acha que o “guri” se abalou. Com apenas 17 anos, já havia enfrentado tantas dificuldades que, agora, o que vem é encarado de frente.

O começo foi difícil, como acontece com a maioria dos atletas. Bruno, que desde os seis anos brincava, nas quadras, com a bola pesada, deixou a infância humilde em Carazinho, no interior do Rio Grande do Sul, para iniciar a formação como atleta nas categorias de base do Sport Club Internacional. Em Porto Alegre, distante quase 300 km de casa, teve que aprender a driblar a dor da saudade. “No começo era difícil. Eu saí de uma cidade pequena, com 60 mil habitantes, e fui direto para a capital do Rio Grande do Sul. A diferença de realidade era gigante. Mas mais do que isso, o principal desafio foi ficar distante da minha família.  Com o tempo foi ficando mais fácil… aprendi a superar a dor da saudade e me concentrei nos motivos pelos quais eu estava longe” disse.

Mesmo com a pouca idade, Bruno sempre teve a clareza e a convicção de que precisava abdicar de alguns confortos para realizar o sonho que, desde o início, não era só seu. Por conta disso, a determinação e a disciplina de seguir tentando sempre estiveram presentes. “Comecei a jogar com seis anos e sempre busquei alcançar os meus objetivos. Porque esse sonho não é só meu, é da minha família também” conta. Quando titubeava, recebia da mãe a força e o apoio para seguir adiante. “Minha família sempre foi a maior motivação. A principal razão para eu seguir em frente no futebol. Como eu disse, o sonho não era só meu. Eles sempre foram muito humildes e eu me concentrei nisso. Em chegar a algum lugar e tornar a situação mais fácil para eles. Já pensei muitas vezes em desistir, e minha mãe não deixou”.

Se antes o garoto já contava com uma torcida especial e repleta de expectativas, agora a responsabilidade é ainda maior. Isso porque, desde abril, a pequena Sophia – filha de Bruno com a esposa Gabriela – faz parte do fã clube do papai. “Agora tem a minha filha, a Sophia, de quatro meses, quase cinco, e a minha esposa Gabriela. Elas também são os motivos para eu continuar. Se antes eu me preocupava com a situação da minha família, hoje penso muito nelas e no futuro da minha filha. Em guardar algo para ela” afirmou.

Apesar de, no começo, a distância de casa ter sido um problema, ao chegar em Chapecó o garoto encontrou um novo lar. “Desde que eu cheguei aqui, todo mundo me acolheu muito bem. Realmente, este clube é uma família. O ambiente te possibilita isso, de se sentir em casa. Por isso eu criei um carinho muito grande pelo clube e pelas pessoas”, disse. Como forma de retribuir o que recebeu do time e da cidade, Bruno aposta na dedicação. “Desde a base até agora, no profissional, eu sempre me dedico. Dou o meu máximo. Quero ter a cara da Chape: de luta, de entrega, de dar o máximo. Isso é que faz eu me identificar com o clube”.

Da dedicação, vieram os frutos. Foi no início de 2018 que – após passagem de muito destaque pelas categorias de base da Chapecoense – Bruno Silva recebeu a oportunidade de atuar junto ao elenco profissional do clube. Ao invés de se sentir pressionado, no entanto, o garoto levou na boa a chance de estrear e atuar ao lado de grandes e experientes nomes. Nas suas primeiras atuações, inclusive, entrou em campo para partida válida pela Libertadores, contra o Nacional. Se, por um lado, a pressão não existia, por outro a ansiedade e o “frio na barriga” eram incontroláveis. “Joguei a minha primeira Libertadores com 17 anos e não me senti pressionado. Quando entrei em campo, aproveitei duas boas bolas e quase fiz gol. E eu estava muito sedento por mostrar o potencial e fazer por merecer a oportunidade que estava tendo” relembrou. Outra grande emoção foi no dia 9 de fevereiro deste ano. Contra o Tubarão, pelo Campeonato Catarinense, Bruno Silva marcou o primeiro gol pelo time profissional. Em êxtase, no momento da comemoração apontou para a arquibancada em direção à mãe, Mara, que celebrava a conquista do filho.

Na carreira, as ambições são muitas e as mesmas razões que o fizeram chegar até aqui são as que mantém o desejo de vestir a camisa da Seleção Brasileira. Os incontáveis sonhos do jovem atacante, no entanto, dividem lugar com a autenticidade. Mesmo com inúmeros ídolos – como Messi e Neymar – Bruno afirma que, no futebol, quer ser ele mesmo. Criar a própria identidade e deixar a própria marca, como já está fazendo na Chapecoense.

Por Alessandra Seidel 39

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