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“Se Drogba e Eto’o conseguiram, por que nós não conseguiríamos?”

09/08/2018 - 13:18

Sobre a importância da solidariedade, a Chapecoense entende muito bem. Desde o começo da sua história, o clube se fortaleceu por contar, sempre, com a ajuda de toda a população. No momento mais difícil da sua trajetória, foi, novamente, a solidariedade que entrou em campo. Desta vez, acompanhada pela empatia e pela irmandade, afirmada por todos que deixaram as rivalidades de lado e estenderam a mão. Mas muito mais do que receber apoio, a Chapecoense sabe da importância de oferecê-lo. E é aí que inicia uma história inspiradora, de fraternidade que se converte em amor e ganha o poder de romper fronteiras.

Ela começou em Chapecó e teve como destino a Comunidade de Nhandimo, na Província de Gaza, no Moçambique. Próxima ao Oceano Índico, Nhandimo possui inúmeros elementos e fatores que favorecem e atraem as atividades turísticas. Em contrapartida, não possui serviços básicos como mercados, hospitais e postos policiais, por exemplo. Deste modo, os pouco mais de 800 habitantes que constituem a população local precisam percorrer, a pé, longas distâncias, já que também não há meios de transporte.

Como a Chapecoense entra nessa história? Da seguinte forma: O arquiteto natural de Chapecó, Pablo Renk, e a sua esposa Leila - extremamente envolvida em diversos projetos humanitários coordenados pela Organização das Nações Unidas ao redor do mundo, formaram, em 2012, o “NAARA Eco-Lodge e SPA”. Através do empreendimento, eles criaram uma oportunidade de emprego para, pelo menos, 24 pessoas da comunidade e, bem como capacitaram as pessoas de Nhandimo  à desenvolver atividades relacionadas ao turismo.

Muito além do próprio projeto, no entanto, eles - como forma de retribuir o carinho e o respeito da comunidade que os acolheu de forma tão calorosa - passaram a se engajar em questões humanitárias. Foi quando o pronome “Nós” entrou em ação. Passaram a contribuir com a luz, com a água, com a construção da escola e, inclusive, com medicamentos e translado para pessoas enfermas. Para a escola, em especial, Pablo, através do NAARA, e a Fundação Baobab - formada pelas embaixatrizes de vários países - viabilizaram a doação de 35 carteiras duplas, suficientes para mobiliar duas salas.

Às crianças da escola - que são 257 com idades entre 6 e 18 anos   - Pablo, sua esposa Leila e o amigo do casal, Marco Aurélio Soprana - através de quem a Chapecoense enviou camisetas do clube para as crianças - resolveram contar a história da “Nossa Chape”. Reuniram todos e, como numa sessão de cinema, relataram, numa narrativa emocionante, toda a superação e as glórias do time alviverde. A identificação foi instantânea. “A história da ACF tem tudo a ver com a essência do povo africano. O que os norteia também é a superação! O seus principais valores também são o amor, o respeito, a família, a união, a força e a resiliência”, destacou Marco.

Parece exagero, mas ao ouvir os relatos sobre a comunidade de Nhandimo, tudo o que se sabe sobre o futebol além das quatro linhas parece fazer sentido. Para as regiões mais pobres, o esporte é sinônimo de esperança. Além disso, por lá o futebol é o único esporte praticado e que envolve todas as crianças, meninos, meninas, e a comunidade. E entre eles, o sonho é comum: ser jogador. Os motivos para acreditar são pertinentes. Se craques como Drogba e Samuel Eto’o conseguiram, por que eles não conseguiriam? Conhecer a história da Chape os motivou ainda mais. Vestir as camisas verdes e brancas tornou mais confiante e encheu de perspectiva o brilho nos olhos.

Mas Nhandimo - apesar dos sonhos e da esperança - ainda precisa de muito. A comunidade, apesar da carência, preza pela manutenção da educação e entende a importância do ensino para que o futuro das crianças seja menos incerto. De todas as necessidades, a mais urgente diz respeito a complementação das estruturas de escola. Conseguir mais 50 carteiras duplas, cinco quadros negros e doar materiais atenderia as necessidades básicas da instituição. E é possível ajudá-los! “A intenção é propagar o bem que a Chapecoense recebeu para outros povos, pois essa é a maior forma de retribuição para alguém que recebeu ajuda: ajudar o próximo, continuar a corrente de solidariedade”, finalizou Marco.
 

Dados Bancários da Escola Primaria de Inhandimo:

Numero da conta 359970105
Nib 000100000035997010557
Iban mz59000100000035997010557
Swift bimomzmx

Por Alessandra Seidel 

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