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“Eu nunca vou poder falar deste trabalho sem usar a palavra ‘honra’”. Digo Cardoso assina homenagem aos eternos campeões alviverdes

07/12/2017 - 11:44

Foto: DivulgaçãoEm meados de outubro de 2017, um artista de Chapecó - conhecido por ter suas obras espalhadas pelas ruas da cidade - recebeu da Associação Chapecoense de Futebol um pedido acompanhado por uma missão especial: reproduzir em quadros as melhores expressões dos eternos campeões alviverdes. A princípio, as imagens se tornaríam quadros a ser entregues aos familiares das vítimas como uma lembrança. Depois, Rodrigo Cardoso - o Digo - recebeu uma tarefa de ainda mais responsabilidade: unir todas as expressões e, do contexto, produzir uma obra para a eternidade.

Como todo artista que se preze, Digo aceitou o desafiou e, desde o convite inicial, dedicou a ele todo o conhecimento e talento. E, conforme ele, o pedido para produzir a obra veio no momento certo. “Sempre tive muita vontade de fazer algo para a Chapecoense, porém acabei não fazendo quando aconteceu o acidente porque era um momento muito delicado. Tinha que ter cuidado para não parecer um oportunismo. E, um ano depois, veio essa oportunidade de fazer um painel, a pedido do clube. Então, nem passou pela cabeça não aceitar”, afirma.

Além da responsabilidade natural que surge com qualquer trabalho, neste, em específico, Digo enfrentou o desafio especial de lidar com emoções e sentimentos. “Este trabalho carrega uma responsabilidade muito grande, porque estou lidando com muitas famílias e muitos sentimentos. A primeira responsabilidade é conseguir agradar. Trazer uma alegria pras pessoas que vão olhar e lembrar dessa história - que sempre vai ter um peso e ser algo difícil de engolir - mas a grande responsabilidade é conseguir converter tudo isso em uma coisa boa”. Além das emoções do público “externo” e diretamente envolvido, para produzir um trabalho deste porte, Digo precisou aprender a conduzir as próprias emoções. “Essa obra está me proporcionando um mix de sentimentos. Às vezes cai a ficha de tudo o que aconteceu e de que essas pessoas não estão mais aqui, sabe. E aí dá um aperto… Mas também surgem sentimentos muito legais, muito bons, em função de estar fazendo parte desta história com a minha arte”, destaca.

Enfático ao afirmar a humildade, Digo entende que o convite para assinar a obra foi reflexo dos resultados que ele vem desenvolvendo. A certeza de que o seu trabalho está indo pelo caminho certo e que ele está conseguindo atingir as pessoas de uma forma positiva. “Eu nunca vou poder falar deste trabalho sem usar a palavra ‘honra’”, afirma. Além disso, o trabalho serviu para aproximar ainda mais o paulista - natural de Jacareí - da Chapecoense: o clube que tem o carinho de toda uma cidade, região e, agora, do mundo.

Acostumado a produzir pinturas mais lúdicas, neste trabalho  - que está sendo produzido num muro anexo ao estacionamento da Arena Condá - Digo investiu na técnica do “stencil” a fim de deixar a obra com ares mais urbanos. A intenção é que - apesar do fundo “sujo” - a estética seja agradável aos olhos e, principalmente, retrate as melhores expressões dos eternos amigos e guerreiros - motivo pelo qual houve um amplo trabalho em busca das melhores fotos de cada um.

Nesta semana, Digo iniciou a etapa de marcação dos rostos - que está sendo feita de noite, - e, com a chegada das tintas (que foi cedida pela Killing, empresa responsável pela pintura de toda a Arena Condá) ele passará para a etapa de preenchimento . Posteriormente, fará detalhes para a finalização e entregará a obra.

Texto: Alessandra Seidel 

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