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A missão de Nivaldo na Chapecoense

03/03/2017 - 12:04

Nivaldo é o típico atleta que dispensa apresentações. Chegou à Chapecó em 2006, sem grandes perspectivas. O time para o qual se transferia tinha uma estrutura modesta, calendário diminuto, e as dificuldades pareciam mais presentes do que as oportunidades. Não era justo afirmar que a Chapecoense tinha porte para ser almejada como “sonho” de qualquer atleta. Mas Nivaldo - por algum motivo que, muito a frente, se explicaria - arriscou. E nessa história de “pagar pra ver”, o arqueiro se tornou um dos principais personagens da Chape. Participou das conquistas dos títulos estaduais de 2007, 2011 e 2016 e dos acessos às séries D, C, B e A do Campeonato Brasileiro. Também foi o responsável por erguer a Taça da Copa Sul-Americana. Esse último, por um golpe do destino - responsável por mudar toda a rota.

O goleiro chegou ao final de 2016 com 298 jogos, mais de dez anos no Verdão, uma infinidade de conquistas e boas lembranças. E entre os companheiros de trabalho - que também eram amigos pessoais - surgiu o interesse de que Nivaldo chegasse - antes de pendurar as luvas e as chuteiras - à marca de 300 jogos, para, depois, assumir o cargo de auxiliar técnico. “Tu vai entrar no jogo lá, contra o Palmeiras, e a última partida você faz contra o Atlético Mineiro. Aí fecha os 300”, afirmava o então técnico Caio Júnior. Houve, no entanto, uma mudança na logística e Nivaldo foi poupado do jogo em São Paulo porque, da capital paulista, a Chape viajaria à Colômbia, para a primeira partida da final da Sul-Americana. O experiente atleta ficou em Chapecó para que outros quatro jogadores fossem levados. E naquele interminável 29 de novembro, aconteceu o inimaginável e, ainda, inacreditável acidente aéreo que vitimou time, comissão técnica, diretoria, imprensa e convidados que viajavam à Medellin. “Ficou tudo incompleto”, afirmou o goleiro, que prontamente decidiu se aposentar.

Quando foi ao clube, dois dias após o ocorrido - porque, até então, a emoção e a dor não haviam permitido o reencontro com a Arena, o vestiário e todos os lugares que frequentava com os colegas que partiram - Nivaldo se encontrou com Ivan Tozzo, que havia assumido, interinamente, a presidência do clube. “Ele me deu um abraço, começamos a chorar, e ele me perguntou se eu estava disposto a ajudar o clube. E eu disse que sim, mas questionei se ele precisaria de mim dentro ou fora do campo. E ele disse que seria fora e no mesmo momento afirmou que eu era o mais novo contratado”, relembrou. Assumiu um cargo na Gerência de Futebol da Chapecoense.

Mais do que a força que Nivaldo tem precisado desempenhar para enfrentar a dor pela perda de amigos, o ex-atleta encara, ainda, o desafio profissional. Ele já planeja fazer cursos, se reorganizar e, principalmente, contar com o apoio de Maringá e Rui Costa - colegas de departamento. Além disso, o agora Gerente de Futebol sabe que tem muitos anjos e uma motivação especial. “Passa pela minha cabeça que as pessoas que se foram, de um modo ou de outro ficariam felizes se eu continuasse aqui, seguindo o caminho” afirmou.

Nivaldo tem aprendido, ainda, a lidar com uma responsabilidade muito diferente e cobranças ainda maiores do que as que encontrava dentro de campo. O time teve que começar praticamente do zero - o que dificulta o entrosamento - e há, ainda um calendário de jogos como nunca antes a Chapecoense teve. “A gente conversa muito sobre isso, sobre as várias competições que temos esse ano. É tudo novo. Você contrata e não sabe se aquela pessoa realmente vai render o esperado. Mas a gente procura trazer pessoas que irão ajudar. E temos convicção que logo, logo as coisas se encaixam”, confirmou.

Para finalizar, Nivaldo afirmou que, devido às circunstâncias, o clube precisa trabalhar com a ideia de se manter estável nas competições que disputar para, posteriormente, almejar conquistas maiores. “A gente espera que no final do ano a gente possa se dar um braço e dizer: conseguimos o nosso objetivo. De agora em diante esse clube vai ser grande novamente”, concluiu.

Texto: Alessandra Seidel
Foto: Eduardo Guimarães

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