Matéria Especial: “Era a oportunidade de vir e ajudar a reconstruir o clube.”

Além dos 926  gols marcados na carreira – que o condicionaram à posição de quinto maior artilheiro da história do futebol brasileiro, Dedé Maravilha ficou conhecido por uma frase emblemática: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”. Há que se concordar – considerando a importância dos tentos anotados em qualquer partida – mas é preciso admitir que existem gols e gols: Os convencionais e os golaços. Ditos “de placa”. E destes, em específico, Lucas Marques entende bem. Volante de ofício, desde a recente estreia com a camisa alviverde, foram três golaços. Todos eles de encher os olhos.

Dono de uma pontaria afiada, Lucas Marques, de apenas 22 anos, é paulista, de Osasco, mas construiu a carreira profissional no sul do Brasil. Quando menino, ainda no futebol de salão, o desejo era comum ao de tantos outros garotos. “Meu sonho sempre foi ser jogador. Não pensava em outra coisa”, relembra. Com 13 anos, Lucas recebeu proposta do Juventude, de Caxias do Sul, e passou a encarar a brincadeira com a bola como um compromisso sério. “No começo sofri bastante, mas como eu sempre tive muito contato com minha família – todos os dias ligando pra minha mãe, por exemplo – isso amenizou um pouco a dor da distância”. Logo, todo o sacrifício começou a valer a pena e o comprometimento passou a ser reconhecido. 2 anos e meio depois de ingressar nas categorias de base da equipe gaúcha, chamou a atenção do Internacional, de Porto Alegre. No colorado, foram seis anos de aprendizado, de inúmeros títulos e de espírito de liderança.

Em 2016, foi por empréstimo para a Lajeadense e, no final do ano, passou a receber sondagens da Chapecoense. “Estavam esperando acabar a Sul-Americana para fechar o negócio”, conta. Diante de todo o ocorrido com a Chape, no entanto, o que se aproximava de um acordo, virou dúvida. Isso porque Lucas não conseguia imaginar qual seria o futuro do time. Mas a vontade de integrar a equipe permanecia a mesma. E, agora, a motivação era ainda maior. “Não pensei duas vezes. Era a oportunidade de vir e ajudar a reconstruir o clube. Eu fiquei muito feliz e empolgado (…) Não tive nenhum receio. Vim bem tranquilo e querendo estar aqui. E foi isso o que mais ajudou. Querer ajudar. E, graças a Deus, estou conseguindo fazer isso” afirma.

Mesmo com ímpeto e disposição de sobra para ajudar a Chapecoense, Lucas enfrentou um começo difícil na equipe. Por opção técnica, ficou quase cinco meses sem atuar pela equipe principal. Ainda assim, manteve o compromisso. E se por um lado enfrentava contratempos, pelo outro encontrava motivos para permanecer o clube e manter o comprometimento. Principalmente por conta do acolhimento do grupo. “Uma das coisas que eu notei quando cheguei aqui foi isso de o clube ser bem unido. Todos se tratam muito bem e o time acaba se tornando uma família. E isso reflete na torcida. Nos dias de jogos, por exemplo, vejo muitas crianças, muitas famílias assistindo aos jogos. É difícil ver isso em outros lugares”, destacou.Preservando a dedicação e dando sequência ao trabalho intenso, Lucas passou a se destacar nos treinos e, na estreia alviverde na Copa Sul-Americana, fora de casa, contra o Defensa y Justicia, teve a oportunidade de iniciar a partida como titular e atuar nos noventa minutos. O seu jogo mais importante, no entanto, ainda estava por acontecer.

Nove de julho, Arena Condá, Chapecoense x Atlético Paranaense. Finalmente, Lucas fez a sua estreia diante da torcida que tanto admira. Torcida essa que – do inferno ao céu na mesma partida – viu a Chapecoense sair atrás no marcador, ficou impaciente e incrédula com a possibilidade da derrota e, por fim, deparou-se com o estreante – igualmente inconformado com o revés – mudar a história do jogo. Com a perna direita calibrada, Lucas Marques acertou, de fora da área, um chute indefensável, igualando o placar. Para o alívio do torcedor e dele próprio, que parecia saber que aquele gol era premissa para os gols que vieram adiante e todos os outros que ainda estão por vir. Não demorou para que a lista de tentos aumentasse. Contra o São Paulo, de novo de fora da área, mais um tiro certeiro – para liquidar a vitória alviverde. Mais “de placa” que o gol, só a comemoração: Lucas abraçou os companheiros, se ajoelhou e apontou para o céu. Além do valor do união, ele entendeu por quem jogam e de onde vem a força dos que vestem a camisa verde e branca.

O seu gol mais importante, no entanto, foi o da “tranquilidade” – como ele mesmo descreveu. Contra a Ponte Preta – novamente na Arena Condá – Lucas acertou o ângulo da goleira adversária e garantiu a vitória do Verdão. Para as pretensões do clube, um resultado fundamental. Para o time respirar e seguir confiante na permanência na Série A. “Tenho certeza que vamos permanecer. O grupo vai se unir ainda mais e vamos fazer a nossa Arena Condá jogar junto”, afirmou. Sobre o futuro? Lucas Marques garante que quer ficar aqui por muito mais tempo. “Meu contrato é até o fim do ano e a prioridade de renovação é da Chape. E o meu desejo é, sim, ficar para o ano que vem”. Nascido em São Paulo e forjado, no futebol, no Rio Grande do Sul,  Lucas Marques, com certeza, é Chapecoense de coração.

Texto: Alessandra Seidel

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